Então, passados quase 6 anos do início de minhas postagens, acredito que nestes anos, muitas coisas mudaram em nosso país.
Desde o advento dos trabalhos de visibilidade das pessoas com deficiência nos fins de 1970, com a perda da força do regime militar e tímida volta a democracia, os movimentos estabelecidos ganham força política e iniciam os processos inclusivos. Surgem então os grupos associativos que lutam por melhores condições de trabalho, uso da linguagem de sinais entre outras reivindicações. Em 1979, junto com várias manifestações contra a Ditadura Civil-Militar e pela reabertura política, as lutas das PCDs por mais espaço na sociedade ganha impulso. O período é considerado um marco do movimento político das PCDs.
E neste movimento, suprimido a partir de 1964, renovando-se a partir de1979 e a longos anos após (digo longos anos pois de 1979 até 1991, passaram-se mais de 12 anos até a promulgação da Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência. Longa data, longa luta.
Pode-se dizer que a partir do advento da Lei de Cotas para PCD - LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991, conhecida como lei de contratação de PCD (Deficientes) nas Empresas. Tudo mudou na vida das pessoas com deficiência?
Nem tudo, houveram grandes avanços, inegáveis a partir especialmente dos anos 2000, por conta do trabalho incansável dos Auditores do antigo MTE - Ministério do Trabalho e Emprego, que até hoje, mesmo com suas estruturas sendo dilaceradas, continuam a promover a inclusão de PCD - Profissionais com Deficiência (aqui mudo a nomenclatura por acreditar que todos somos profissionais e gostamos de ter essa titulação, além de ser vistos como Pessoas) no âmbito nacional. Profissionais exímios, ao qual tem toda minha e de todos os Profissionais com Deficiência contratados nestes quase 30 anos da existência da Lei, nossa gratidão.
Os avanços em relação a promulgação da lei, vão muito além do acesso ao trabalho e renda. Com acesso ao trabalho, retomaram-se os estudos, as escolas por sua vez, precisaram se adaptar para receber estes alunos, que por sua vez, têm renda, e então o comercio precisou se adaptar, e, os segmentos que entenderam que os PCDs são uma classe consumidora, trabalham para implementar ações que resultem em resultados positivos, assim como a Lei de cotas é uma ação afirmativa para nosso movimento, setores que entendem essas demandas, obtém resultados positivos nas áreas de atuação.
Lógico que, a partir do acesso ao trabalho e renda, os profissionais com deficiência passam a ser vistos como cidadãos, como pessoas reais para a sociedade. Li um artigo dias atrás do amigo Reinaldo Bulgarelli no Linkedin (https://www.linkedin.com/pulse/eu-sou-uma-pessoa-reinaldo-bulgarelli/) onde diz que todos somos pessoas. Desde que nascemos até nossa morte, e independente de nossa condição, somos e devemos ser vistos como tal.
Para pessoas com deficiência, serem vistas como pessoas, precisam antes de tudo, estarem socialmente ativas, trabalhando, desenvolvendo uma carreira, itens que foram negados sucessivamente ao longo da vida destes profissionais com uma idade mais avançada. Estes, com o advento da Lei de Cotas, iniciaram uma carreira, que geralmente acontece em nossos dias onde a vaga é sempre uma vaga de entrada, os profissionais de RH sabem, há um processo de amadurecimento, porém, ainda pequeno de mudança no modo de opera e buscar profissionais a deficiência acaba não sendo um atributo positivo.
E para não alongar, esse artigo seria uma prévia do que pretendo continuar a postar em 2021.
Quero que seja um ano de muita diversidade e inclusão nas organizações.
Vamos juntos nesta empreitada?
Gostaria de saber sobre quais temas tem interesse em nossas conversas. Deixe um comentário que vou escrevendo para vocês!

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